Naquela tarde silenciosa, enquanto a cidade ainda se iluminava por trás das janelas, eu segurava um livro que aguçava minha imaginação — um hábito que, sem que eu percebesse no início, começaria a transformar a minha vida, não apenas como escritor, mas como homem.
Aprendi, ao longo de anos de quedas e recomeços, que a imaginação não é uma fuga… é ferramenta, ponte, porta e caminho. Um mapa invisível capaz de conduzir qualquer pessoa que acredita por uma estrada de realização.
Durante muito tempo, fiz da biblioteca da cidade um refúgio constante. Mergulhava no mundo da leitura como quem atravessa um portal. O livro em minhas mãos nunca foi apenas um objeto — era uma bússola, um símbolo de jornada.
Lembro dos dias em que escrevia escondido. Naquela época, tudo ainda era feito à mão, em cadernos simples, preenchendo páginas com sonhos que eu nem sabia se um dia seriam lidos. Havia dúvidas, havia silêncio… noites em que o som da chuva ou o latido distante de um cão se tornavam companhia. Tudo era música. E a noite, um universo inteiro.
Sim, houve medo de não ser bom o suficiente. Mas também houve um momento decisivo: quando entendi que poderia transformar cada insegurança em combustível. Aquilo que eu imaginava, pouco a pouco, começou a ganhar forma na realidade.
Hoje, diante de um novo horizonte, compreendo que cada palavra escrita é uma semente plantada.
Cada página é um movimento em direção ao futuro. Cada livro é um portal que se abre para novas jornadas.
E, ao abrir esse portal, não ofereço apenas histórias — ofereço caminhos, possibilidades, direções para que outros encontrem suas próprias estradas.
Porque, no fim, o maior poder não está em quem escreve…
Mas na imaginação de quem lê.


Comentários
Postar um comentário