Foi na Baixada Santista que a poesia me encontrou — ou talvez tenha sido eu que a encontrei.
Entre as paisagens de Santos e Guarujá, comecei a perceber que cada cenário escondia um verso, cada silêncio guardava uma metáfora, cada onda trazia uma resposta que o mundo parecia não saber formular.
O cheiro do mar, carregado de memória, passou a soprar histórias que só o coração consegue decifrar.
O horizonte azul, tão infinito quanto os próprios sonhos, se transformou diante de mim em uma página aberta — esperando para ser escrita.
Foi assim que surgiram as primeiras imagens: suaves, profundas, quase etéreas, que aos poucos ganharam forma em meus textos poéticos e românticos.
Com o tempo, a poesia deixou de ser apenas refúgio e se tornou linguagem. Deixou de ser sensação e passou a ser disciplina. Deixou de ser acaso… e se revelou como destino.
Esse caminho se ampliou quando mergulhei no simbolismo, movido por uma necessidade de encontrar significados além do óbvio.
Cartão Postal
Entre tintas, formas, arquétipos e metáforas, entendi que escrever também era uma forma de pintar.
Cada poema passou a ser um quadro.
Cada livro, uma galeria.
Cada imagem, um portal.
Foi ali, entre ondas e ventos, que os versos nasceram com mais força.
Imagens se acendiam dentro de mim como pequenas constelações, se organizando sobre o papel em forma de poesia, romance e reflexão.
Aquele cenário se revelou como um portal — conduzindo-me por caminhos invisíveis que só o coração reconhece.
E assim, aquele menino que caminhava pela orla, colecionando pores do sol e brisas do mar, se tornou o autor que hoje convida seus leitores a enxergarem o invisível — a sentir antes de entender, a imaginar antes de materializar, a mergulhar no desconhecido antes de temer.
Porque, para mim, a poesia nunca foi apenas escrita.
É uma forma de respirar o mundo.


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